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09
Dez13

Estar desempregada é... #2

por rainhadasucata

... se procuro emprego em funções fora da minha área de estudo (porque nesta altura já estou quase por tudo), é muito frequente ver anúncios que dizem "Habilitações: 12º ano (não se aceitam candidatos com mais habilitações)", e receber e-mails de resposta a candidaturas a dizer basicamente a mesma coisa.

... se procuro emprego numa função dentro da minha área de estudos, o mais normal é já pedirem experiência de 1, 2, 3, 5 anos ou mais. Mesmo que por vezes a oferta seja de estágio (remunerado ou não). Outras vezes pedem mestrado. Outras que seja o primeiro emprego, ou que tenha menos de um ano de experiência.

 

Acho tão estúpida e antiquada esta ideia que os empregadores têm de que os licenciados vão pedir mais dinheiro só por serem licenciados, ou vão achar-se melhor que os outros, ou ficar insatisfeitos com um trabalho que requer um nível de qualificação inferior ao que possuem e por isso ser um mau trabalhador. E acho que (também) é muito isto que contribui para a chocante taxa de desemprego entre os jovens que o país apresenta actualmente. Pessoas que estudaram, com sacrifício por parte dos pais, e agora vêem-se discriminados por terem mais qualificações. O resultado só pode ser um país em que se estão a aproveitar mal os recursos, onde muitas vezes não se estão a colocar nas funções pessoas que seriam melhores a fazê-las, pelo medo do licenciado.

Há licenciados que já adiaram ou mesmo desistiram da ideia de uma carreira na área em que se formaram, e não querem mais depender de subsídios (quando existentes) ou da mesada dos pais. Jovens que já só querem sentir-se úteis, sair de casa todos os dias com um propósito, sair de casa dos pais, viver, casar, ter filhos, ter um cão, ganhar experiência, viajar, aprender, ter a sua independência, ter alguma dignidade. E não podem por um sem número de razões: ou porque têm qualificações a menos, ou a mais. Experiência a menos, ou a mais. Idade a menos, ou a mais.

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9 comentários

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De L a 09.12.2013 às 19:32

Para começar, parabéns pelo texto. É incrível como foram focados todos os pontos que eu considero essenciais. Sou um
rapaz, também licenciado e, para não destoar, também desempregado e com extrema dificuldade em arranjar uma "nova ocupação". Gostaria de saber, e esta é para os empregadores, qual será o problema de um licenciado executar tarefas de outro trabalhador menos qualificado? Será receio de um complexo de superioridade? Então, se assim fosse, o licenciado nem sequer concorreria a esse posto, certo? Sinceramente, não entendo. Mas a melhor é esta pérola que aqui deixo expressa: estou inscrito no centro de emprego e recentemente, fui lá chamado com a informação de um possível trabalho, ainda para mais na minha área de estudos. Compareci no dia e local indicado e fui atendido por uma funcionária cinco estrelas, devo confessar. Apenas dois requisitos me separavam desse trabalho: 1) estar inscrito à mais de 6 meses, o que se confirmava, e aí a minha esperança redobrou-se - seria desta - ? 2) estar numa das seguintes situações: a) ter filhos a meu cargo (pai monoparental); b) ter cônjuge também desempregado e c) não ter mais que o 9º ano de escolaridade. Moral da história: não fiquei com o posto de trabalho devido a um mero pormenor técnico. Como é que isto é possível?! Para finalizar, deixo um conselho: em vez de um currículo, é "aconselhável" ter dois. Um com a "escolaridade completa" e outro "apenas" com o 12º ano: assim, não se é excluído "a priori" dos postos de trabalho menos qualificados. Cumprimentos, L.
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De rainhadasucata a 09.12.2013 às 20:43

Obrigada!
Bom, nessa situação ainda era pior, visto que o pedido era apenas o 9º ano...
Em relação ao conselho, compreendo e já pensei em fazê-lo, mas custa-me mesmo muito tirar essa informação do currículo... O que já fiz é na carta de apresentação que sempre envio ter dois tipos mais ou menos formatados, sendo que numa delas não refiro ser licenciada.

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