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26
Dez13

"Digo eu"

por rainhadasucata

Há uma expressão muito característica da minha mãe, que origina normalmente algum gozo aqui em casa que é o "digo eu", expressão que segue por vezes alguma opinião ou comentário. Por exemplo: "É melhor irmos lá hoje que amanhã deve estar muito cheio. Digo eu, não sei". O "não sei" só aparece às vezes, mas a expressão anterior já o faz adivinhar.

Por muito que brinque com este trejeito, acredito que ele é o símbolo perfeito de um traço que a caracteriza e que me foi passado a mim também através da minha educação - e do qual muito me orgulho - que é a humildade. O dizer de sua justiça quando é necessário, mas ter a humildade de não se dar ares de certezas absolutas, deixar sempre um espaço em aberto para outras opiniões.

Muito me irritam as pessoas que, qualquer que seja o assunto, têm sempre uma sentença a ditar com um ar de absoluta certeza e superioridade. Que percebem sempre de tudo, e não só, percebem sempre mais do que os outros, e qualquer que seja a boca que se abre para dizer algo em contrário, vai gerar sempre uma contra-argumentação, mesmo quando não há necessidade.

O que me irrita mais ainda é quando o indivíduo não percebe um caracol do assunto de que se está a falar, mas ainda assim faz uma de duas coisas: ou alvitra algo como "isso não é bem assim", ainda que não faça a mais pálida ideia de como é ou deixa de ser; ou recorre à sua, bem, vamos chamar-lhe imaginação para mostrar que percebe. Para mim, enquanto pessoa que é muitas vezes acusada de ser "calada" como se isso fosse doença, é bem mais divertido ver estas pessoas a enterrarem-se no seu próprio discurso. Simplesmente pertenço aos raros seres que sabem que às vezes o silêncio é de ouro, e em boca calada não entra mosca, and so on. 

O que falta a esses indivíduos, é, meus senhores, humildade. Humildade para perceber e ouvir outras opiniões, humildade para se cingirem àquilo que sabem e aí sim, falarem com verdade e certeza (que é tão melhor), humildade sobretudo para admitirem que podem aprender, porque a sabedoria entra por ouvidos abertos, e não bocas. Mas numa tentativa tão desesperada de demonstrarem que não são ignorantes, só revelam toda a sua ignorância, e a da pior espécie que é a de quem não quer saber mais.

Mas isto digo eu.

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